segunda-feira, 21 de novembro de 2011

A terceira idade em evolução e um mercado de bengalas.

Dona Cida, minha vizinha, me chamou estes dias:

- Você entende de computador?

- Ah, sim. Depende do que você precisa. Qual seu problema?

- Estou querendo organizar as pastas de fotos das minhas netas, mas fiz bagunça e to com medo de perder tudo.

- Ah tá, fique tranquila, posso ir ajudá-la.

- Ai, minha filha, eu sou muito curiosa. Mexo em tudo, só que minha filha colocou esse tal de Windows 7 e me complicou tudo! Ficou tudo em inglês!

- Você acessa internet?

- Ixi! Converso quase todo dia no Skype!

Eu fico pensando, muitas vezes, que a população que está na terceira idade acaba sendo ignorada por muitas empresas e, também, em nosso pensamento estratégico. Afinal, porque é tão difícil ver esta parcela da população em nossos comerciais, como foco de nossas comunicações (não vale propaganda de crédito, farmácia e seguro de vida)? Ou pior: porque não é dado seu devido valor e participação no mercado, visto que ser idoso não significa, em hipótese nenhuma, estar morto para o mercado?

Muito pelo contrário: sinto que nossos vovôs podem estar sofrendo com o mesmo preconceito que antes víamos nas classes C e D que hoje se destacam como a Nova Classe Média brasileira. Estas classes emergentes sempre foram altamente estratégicas, mas o preconceito em acreditar que seu consumo era irrelevante ou que a marca/produto fosse caracterizado como “produto para pobre” dificultou seu enfoque para o mercado. Hoje é muito diferente.

Vamos ver o mercado andar de bengalas até ver o óbvio, que estamos ignorando uma grande parcela da população que, com tempo livre e dinheiro no bolso da aposentadoria, busca formas de consumo que falem sua língua e que entendam suas reais necessidades?

Trago alguns dados que foram publicados recentemente:

- O STB registrou no primeiro semestre de 2011 um crescimento de 45% na busca por viagens internacionais na terceira idade;

- 71% dos idosos têm independência financeira;

- Segundo o Instituto GFK, eles movimentam R$14 bilhões ao ano, o que equivale a 17% do poder de compra no Brasil. Um poder de compra nada desprezível;

- Hoje, a CVC conta com 750 mil clientes com mais de 50 anos;

Entre outros tantos dados. O mais importante a ser questionado é: se vemos a tecnologia expandir, as gerações serem debatidas, a busca pela qualidade de vida ser maior e, ainda maior, ser a expectativa de vida da população, porque ignoramos que esta população participa deste processo de evolução?

Não é difícil encontrar reportagens, matérias que mostrem seu poder de consumo e sua nova visão sobre a vida na terceira idade, mas é difícil encontrar quem entenda e interprete estes dados em ações estratégicas, no seu posicionamento de mercado.
Não é preciso ser ‘produto para pobre’ nem ‘produto para velho’ para falar com estes consumidores. È preciso visão, pensamento abrangente.

Um contingente de 21,7 milhões de consumidores – população maior que a da Austrália, tá aí, pronto para receber nossa comunicação direcionada.

A expectativa de vida chega aos 82 anos e espero que o mercado crie expectativas melhores para eles.

Santa ignorância ao achar que o bom da vida morre aos 30.


Obs: Para registrar aqui uma propaganda que eu adoro e que mostra muito bem como subestimamos a capacidade de adaptação da terceira idade é o comercial do Windows 7 que, inclusive, complicou a vida digital da minha vizinha.


vídeo Aqui (Youtube)

Fonte dos dados:

Matéria do Mercado e Eventos - Michael Tuma

Matéria InfoMoney

terça-feira, 9 de agosto de 2011

We all want to be honest


Já sabemos como a Geração Y se comporta em relação a marcas, pessoas, internet, mercado de trabalho, família, crenças, valores, atitudes. Mapeamos seu comportamento e delineamos sua história, decupamos os personagens e elevamos seus potenciais, como um troféu da evolução geracional. A Geração Y são os queridinhos do mundo atual, mas assim como a velocidade da internet, já perderão o trono (ou não). Vamos falar da geração Z.

Outro dia, tive uma discussão sobre como as empresas estão vendo a Geração Z. Um assunto precoce? Não, mas se assim fosse, estaria certo, pois hoje o conceito de precocidade veio depois dos nossos jovens Z, ou até dos Y. Muita gente simplesmente menospreza os conceitos de gerações ou até elevam demais e esquecem-se de alinhar teoria e prática, para facilitar as ações das empresas quanto às mudanças.

Não é uma questão pessoal, é uma necessidade global. Se as gerações nascem cada vez mais conectadas e abertas a tudo e todos, porque o pensamento das empresas e agencias deve ser diferente? Porque são de outras gerações? Talvez, mas não os limita às suas crenças, afinal participar de alguma geração é mais que uma questão de idade/época, mas sim de comportamento e pensamento.

Muito pouco se sabe, obviamente, sobre a Geração Z, de Zappear, que muda de um canal para outro na televisão vai da internet para o telefone, do telefone para o vídeo e daí para a música e vai embora, uma eterna reticências. Também troca de uma visão de mundo para outra. Se os Millennials cresceram e viram que há um mundo lá fora a ser descoberto, os Z já nasceram sabendo disso e crescem com a sede de conhecer tudo que há no planeta. Eu vi uma frase em uma das minhas pesquisas: “A geração Z é a encarnação do que a geração Y gostaria de ter sido.” Não que eu acredite nisso, mas a ansiedade dos Y cobiça a prematuridade dos Z.

Quer um exemplo (não do que os Y querem ser): Justin Bieber, representante da geração Z. Nascido em 1994, tão jovem e já se promoveu através da internet com extrema capacidade de atingir seu publico de diversas formas de conexão digital. Computador para eles pode ser mais uma bugiganga tecnológica, enquanto os dispositivos móveis exercem o mesmo papel e, para eles, de forma mais ágil e pratica. Não precisam de um PC, não necessitam se familiarizar às plataformas, já nasceram com o domínio de todas. Imagine eu, tão nova e Y, levando um baile de tecnologia do meu sobrinho de 4 anos que mexe no celular da minha mãe melhor que eu. Foi bem estranho.

“Enquanto todos se concentram na geração Y como os consumidores do futuro, é a geração Z que acaba consumindo os gadgets mais badalados e inovadores.”

O que se pode dizer é que também são conhecidos como Geração Silenciosa, talvez por usarem muito fone de ouvido e, como contrapeso do excesso de vida ativa digital, uma relação interpessoal mais falha, fechada. Mas é impossível imaginar que tudo que virá deles é óbvio, acho que vamos lidar com pensamentos e comportamentos bem distinto dos Y (ainda sim, ser um complemento dos Millennials), acredito que com mais sede ao pote e muito mais ligados, onde a sustentabilidade vai ter que deixar o discurso, que será visto como apelativo e irreal e terá que entrar de cabeça na atitude, enraizado no comportamento da marca.

Falando nisso, a nossa querida propaganda, como será? Será que o conceito de ultrapassado, vai ganhar forma quanto aos nossos formatos de mídia? Como, para eles, é realmente ser impactado por uma propaganda? O que achamos legal e impressionante, o que significará para eles? E marca, quais serão os preceitos e valores?

Mas isso é tão pouco, tão raso e é tudo o que temos. Se quisermos tendências, precisamos enxergar a necessidade de estudo e aprofundamento antes dela causar choque, estranhamento e alvoroço, como foi com a geração Y.

Aliás, muitos desses Z não fazem nem ideia do que quer dizer o ícone de Salvar Documento no Microsof Office, a imagem do extinto disquete.

Os Y, mal sentaram no trono e já terão que estar preparados a receber seus novos colaboradores. Como será isso? Espero que repleto de atitudes novas, que engate a mudança tão desejada pelo Y e que ganhará mais vida e forma com o Z. Um mundo novo, sobre novas perspectivas.

Além disso, um mundo de transparências, cansado de apanhar das máscaras da sociedade. Mas isso, quem não quer?

terça-feira, 12 de julho de 2011

A droga da obediência e da felicidade protetora

Falando do Sonho Brasileiro, projeto da Box1824 com patrocínio do Itau, discute-se quais são as aspirações, sonhos e desejos para o Brasil e para suas próprias vidas. Agora vale também fornecer o lado negro, no meio de tantas boas notícias sobre a Geração Y e seu comportamento. Seu ponto fraco? A incapacidade de perda,de reconhecimento do fracasso e a falta de insistência naquilo que trouxe, de certa forma, uma frustração. Sentimentos que pertencem ao dia-a-dia de todos nós e que, se não encarados, tornam-se o gás hélio para nosso balão de orgulho subir cada vez mais e decair nossa capacidade de reflexão de erros, falhas e superação.

Os problemas, como o bullying, não são contemporâneos, assim como as bactérias não passaram a ser um problema atual, mas a quantidade de sabonetes antibactericidas que prometem envolver o filho em uma redoma de vidro e proteção e a polêmica do bullying que promete punir o primeiro “cara de pastel” que o filho escuta, prometendo um sistema de defesa, não natural e próprio da vítima, a criança, mas uma defesa advinda de outros, da justiça, da punição, dos pais, mas nunca da criança. Não sou a favor do bullying, mas como todos sofri muitos e, por superá-los, é que me fortaleci, sem contar com o apoio dos pais, nem do colégio e nem com a piedade dos maldosos.

Todo esse contexto para dizer: pais, super proteção não garante felicidade (e nem eficácia contra bactérias) e, muito pelo contrario, garante super exposição a qualquer probleminha a vista. A vida é prática, muitos falam o que fazer, mas só se é capaz de compreender os conselhos quando ultrapassamos os obstáculos e enxergamos a lição por trás deles, que também só se vê com a capacidade de enxergar a lição nos mínimos incidentes da vida.

Como diz o texto: “assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem... É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.”

As dificuldades que viveram os pais da Geração Y, fizeram eles escolherem a ausência de sofrimentos dos filhos, guardados embaixo de suas asas, não só fisicamente, mas principalmente psicologicamente. Pais, o sofrimento, ou a falta de, é pessoal e intransferível, como sua carteira de motorista.

Vale muito a pena a leitura:

Meu filho, você não merece nada

O vídeo sobre o Projeto Sonho Brasileiro, patrocinado pelo Itaú, com a presença do Emicida

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Burrice Digital

Como a gente já sabe: nem tudo são flores. E não ia ser a internet que ia ser a exceção dessa regra.

Como muitos puderam ver, o caso do metrô em Higienópolis teve uma imensa repercussão, não pelo simples fato dos moradores não aceitarem sua implantação, mas sim por conta do porque não o querem.

Na verdade, um ou outro pronunciamento preconceituoso de moradores de Higienópolis caracterizou toda região com desmérito que gerou uma enorme indignação de todos usuários ou não do metrô. As publicações contra as "pessoas diferenciadas" causaram tanta ira que até aconteceu o famoso churrasquinho, com direito a varal e tudo mais.

O erro? Não está na manifestação, está na visão fechada e limitada que criamos em cima de poucas e errôneas opiniões de moradores. Não buscamos saber nem a real necessidade do metrô naquele local que ficaria a 605 metros de outra estação.

O que era válido é o que estava estampado na mídia, escancarado para qualquer um ler, ver e se revoltar. Estamos respondendo ao sensacionalismo e não contestando as informações, enfim não estamos gerando conteúdo realmente relevante a respeito. Apenas fomentando o vazio, o raso - superficial.

Que fique claro: eu me incluo nessa lista, pois fui uma das que mais se revoltou com a opinião desumana de alguns moradores.

A Era dos 140 caracteres não permite aprofundar pontos de vistas. Levamos a parte como todo e a consideramos verdade absoluta. È a burrice digital - tudo tem seus prós e contras, até no incrivel mundo da tecnologia.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cala a boca Magda!

40 milhões gastos para a nova campanha da Bombril e muito mais milhões de consumidores insatisfeitos.

Sabe porque?!

Se estamos falando da evolução da mulher, porque falamos de algo que a mulher domina desde a pré-história, a casa? (alguém tem duvida que ela sempre foi a dona do lar ou, no mínimo, a administradora?)

Se estamos falando (de novo) da evolução da mulher, porque precisamos usar terno e gravata e falar grosso como homens? Uma de nossas maiores conquistas (e estamos ainda conquistando) é transmitir capacidade e competência diferenciando-se totalmente do comportamento masculino. Não se pode falar em evolução das mulheres se não falamos daquilo que tanto defendemos: a feminilidade

Como pode acontecer uma evolução com uma retórica tão imatura e até ultrapassada? Eu vejo a guerra dos sexos como algo tão old school , apesar de estarmos em eterna conquista pelo nosso espaço em nossas profissões, isso não nos define da forma demonstrada, a conquista na força, na marra. Conquistamos nosso espaço com delicadeza e objetividade, e aí está a graça da mulher: como ser forte, sendo tão delicada.

A mulher evoluída (mesmo) encara o homem como parceiro, não como inimigo. Não é a toa que o homem, cada dia mais ganha espaço dentro das atividades da casa e dos cuidados com a família, inclusive há propostas para aumentar a licença-paternidade por 1 mês. Isso sim é evolução. A campanha da Bombril é retrograda, traz valores não modernos e sim desprezados.

As reclamações repercutiram não só em inúmeras denuncias ao Conar, mas também ao site Reclame Aqui, onde a empresa é categórica ao afirmar que a Bombril buscou a irreverência e bom-humor nas campanhas.

Eu acredito no humor, mas no humor e não em algo que diz ser humor. Existe o humor dito “inteligente”, mas esse a gente não coloca na TV pra poucos entenderem. Algo humorístico nos faz entender seu objetivo, não precisa explicar que é humor. Piada que é boa não precisa falar que é piada né?!

Segundo a Bombril, o objetivo é atingir um publico mais jovem. Eu até concordo que existe mulheres jovens, solteiras que por conta das decepções em busca do príncipe encantado, acabam gostando da idéia que homem tem que apanhar, que homem não tem muitas utilidades e etc. Mas ao segmentar nossa comunicação, não devemos excluir as outras parcelas de consumidores, ainda mais quando se trata do teu consumidor (até então) fiel, a mulher, dona/administradora do lar com um pouco mais de idade.

A gente não segmenta excluindo, a segmentação é a orientação da nossa mensagem, isso não DEVE significar que não estamos nem aí para a população que não é target e muito menos causar repúdio.

Alías, sou mulher, jovem, administradora do lar e não, não sou essa mulher evoluída que a Bombril quer que eu seja.

Faltou planejamento. E um pouco mais que isso.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Uma mensagem da Denise, que serve para todos.

A vida é curta, poucos sabem o quanto. Quantos de nós aproveitamos cada momento que passamos, seja ele qual for?

A maior beleza está nas pessoas que sabem fazer isso, sem ao menos imaginar que suas vidas seriam tão breves e, mesmo assim, foram e deixaram para nós a mensagem de missão cumprida. Assim é nossa querida Denise Ridel. Não foi. È. E continuará sendo, aonde estiver. A vida é uma etapa, não o ponto final.

Se eu pudesse dizer o que Denise gostaria de cada um de nós, diria:

Ser criança não é uma etapa da vida, mas um estado de espírito. Não significa imaturidade ou despreparo para a vida adulta, mas uma forma mais alegre, viva, pura e bonita de ver e viver a vida. Nunca esqueça da criança dentro de você, até nesse momento difícil de dor.

Tome sorvete sem medo de sujar, saia na chuva sem medo de se molhar, brinque sem medo do tempo, viva sem medo da morte.

Conte, cante, escreva o que vem do coração. O maior talento está em escutar seus sentimentos mais puros e sinceros.

Tristezas, culpas, pecados, amarguras, raiva, rancor...Todos esses sentimentos negativos você joga fora, é mais simples do que pensa. Rasgue tudo da mente e limpe essa parte da memória.

E para ocupar o espaço agora vazio, preencha com amor, com momentos inesquecíveis, com tardes deliciosas. Seja em um imenso parque florido ou sentado na guia da calçada da sua casa. Os melhores momentos da vida não escolhem lugar para acontecer, mas sim pessoas especiais.

Ria. Ria muito, ria de tudo, do nada.

Tudo tem beleza, tudo tem valor porque tudo que vem do coração, reflexo da alma, ganha beleza imensurável.

Não leve as coisas tão a sério, nada que não valha uma vida.

O tempo é cruel conosco, mata um pouco da gente a cada dia. Não permita que ele faça isso com você. Ele poder ser seu inimigo na hora da pressa, mas encontre no tempo o espaço para os amigos, para viver sem preocupação e esquecer do relógio – o tempo da vida não pode ser calculado pelas horas marcadas no relógio – dedique um tempo incalculável para si mesmo e para quem ama.

A vida é composta por momentos. Apesar desse momento ser difícil para todos nós, ele tem seu valor. A morte é uma passagem para quem se vai e para quem fica pode ser momento de união e reflexão, muito além da tristeza. Nada de culpas, nada de egoísmo, nada de arrependimentos.

Quero deixar a mensagem para vocês da beleza pura e simples, da felicidade sem custos, sem esforço. Levem para vida de vocês, apenas um pouquinho que deixei para cada um. Serei ainda mais feliz onde estiver, sabendo que mudei um pedacinho da vida daqueles que amo.

Vivi pouco, mas vivi intensamente. E isso que importa. Morre jovem quem não viveu, morre velho quem soube viver. Sendo assim, não morri tão cedo assim.

PAZ DE ESPÍRITO

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Uma reflexão a respeito do planejamento DAS agências

Texto publicado no blog CHMKT aqui


Vivemos planejando para as marcas, compreendendo o passado, encarando o posicionamento atual e avaliando tendências e comportamentos para alinhar futuro de marca com as expectativas dos consumidores. Enfim, muito mais que isso, somos responsáveis por entregar aos clientes aquilo que consideramos o posicionamento eficiente para atingir o objetivo da marca.

Mas, devemos agora buscar um novo cliente: as agências de publicidade. Quanto sua agência trabalhou seu posicionamento perante colaboradores e mercado, principalmente universitário – aonde mora o futuro das agências? Quanto sua agência foi capaz de reavaliar seu comportamento para melhor aderir os novos talentos? E, desculpem-me, mas não só de um excelente processo seletivo vive a capacidade de captar bons profissionais.

As agências de publicidade, acredito que por trabalharem com a mídia, acabam agregando características peculiares advindas desse relacionamento: encarar tua posição como um “mercado-estrela”, com seus próprios atores de Hollywood, um mundo particular, selecionando rigorosamente quem merece estar nele.

Não estou aqui para julgar seu posicionamento e olhá-lo de forma negativa, isso seria contra a profissão de planejamento, na qual atuo. Mas sim, pensar em como podemos alterar pequenas atitudes, estando mais receptivo ao mercado de trabalho.

Avaliando nosso passado, sabemos que era uma área glamourosa em que os grandes nomes pertenciam a classes sócias mais abastadas, assim como seus estudantes. A maioria dos universitários tinha condições de não receber nenhum salário em troca, pois contavam com apoio da família para investirem na profissão.

E hoje, quanto disso mudou? Ainda somos uma área com ares de estrela de cinema e ainda encaramos nossos profissionais como pertencentes a alta sociedade?Quanto devolvemos a nossos colaboradores, o valor de seu trabalho? Fidelizar não só clientes, mas colaboradores. Para isso, sabemos que não basta oferecer viagens de férias, reuniões descontraídas no final da tarde com direito a bebidas, pipocas e pizzas. Parece muito, mas não somos feitos só de estímulos, mas também de devolutivas.

È claro que,para um estudante de publicidade, estar em uma agencia de renome é uma grande honra, uma experiência incrível. Mas isso paga nossas contas, nossa satisfação profissional? Não. Oportunidade não é uma via de mão única, assim como para o estudante é gratificante estar em uma agência, sendo ele um potencial é uma grande aposta até para o futuro da agência. Eles são o novo mercado, eles representarão tua agência. E você quer criar novos profissionais, com a mesma visão e comportamento de um antigo posicionamento do mercado publicitário?

Acredito que o perfil dos nossos estudantes não é mais o mesmo. Estamos encarando uma nova leva de universitários representantes da Nova Classe Média brasileira e até estudantes que vieram de outros estados que buscam oportunidades no mercado e precisam se sustentar e precisam, ainda mais, de oportunidades.

A experiência que hoje exigem de um assistente não é compatível com as oportunidades que o mesmo teve. Quantas vezes sua agência abriu as portas para os esforçados, interessados em aprender, que ainda não possui experiência como troca? Isso é investimento futuro, abrir as portas significa investir em potenciais. Planejamento.

Acredito que as agências de publicidade devem se comportar menos como agências, mais como empresas. Manter as particularidades do mercado, mas não limitá-lo a isso.