Dona Cida, minha vizinha, me chamou estes dias:
- Você entende de computador?
- Ah, sim. Depende do que você precisa. Qual seu problema?
- Estou querendo organizar as pastas de fotos das minhas netas, mas fiz bagunça e to com medo de perder tudo.
- Ah tá, fique tranquila, posso ir ajudá-la.
- Ai, minha filha, eu sou muito curiosa. Mexo em tudo, só que minha filha colocou esse tal de Windows 7 e me complicou tudo! Ficou tudo em inglês!
- Você acessa internet?
- Ixi! Converso quase todo dia no Skype!
Eu fico pensando, muitas vezes, que a população que está na terceira idade acaba sendo ignorada por muitas empresas e, também, em nosso pensamento estratégico. Afinal, porque é tão difícil ver esta parcela da população em nossos comerciais, como foco de nossas comunicações (não vale propaganda de crédito, farmácia e seguro de vida)? Ou pior: porque não é dado seu devido valor e participação no mercado, visto que ser idoso não significa, em hipótese nenhuma, estar morto para o mercado?
Muito pelo contrário: sinto que nossos vovôs podem estar sofrendo com o mesmo preconceito que antes víamos nas classes C e D que hoje se destacam como a Nova Classe Média brasileira. Estas classes emergentes sempre foram altamente estratégicas, mas o preconceito em acreditar que seu consumo era irrelevante ou que a marca/produto fosse caracterizado como “produto para pobre” dificultou seu enfoque para o mercado. Hoje é muito diferente.
Vamos ver o mercado andar de bengalas até ver o óbvio, que estamos ignorando uma grande parcela da população que, com tempo livre e dinheiro no bolso da aposentadoria, busca formas de consumo que falem sua língua e que entendam suas reais necessidades?
Trago alguns dados que foram publicados recentemente:
- O STB registrou no primeiro semestre de 2011 um crescimento de 45% na busca por viagens internacionais na terceira idade;
- 71% dos idosos têm independência financeira;
- Segundo o Instituto GFK, eles movimentam R$14 bilhões ao ano, o que equivale a 17% do poder de compra no Brasil. Um poder de compra nada desprezível;
- Hoje, a CVC conta com 750 mil clientes com mais de 50 anos;
Entre outros tantos dados. O mais importante a ser questionado é: se vemos a tecnologia expandir, as gerações serem debatidas, a busca pela qualidade de vida ser maior e, ainda maior, ser a expectativa de vida da população, porque ignoramos que esta população participa deste processo de evolução?
Não é difícil encontrar reportagens, matérias que mostrem seu poder de consumo e sua nova visão sobre a vida na terceira idade, mas é difícil encontrar quem entenda e interprete estes dados em ações estratégicas, no seu posicionamento de mercado.
Não é preciso ser ‘produto para pobre’ nem ‘produto para velho’ para falar com estes consumidores. È preciso visão, pensamento abrangente.
Um contingente de 21,7 milhões de consumidores – população maior que a da Austrália, tá aí, pronto para receber nossa comunicação direcionada.
A expectativa de vida chega aos 82 anos e espero que o mercado crie expectativas melhores para eles.
Santa ignorância ao achar que o bom da vida morre aos 30.
Obs: Para registrar aqui uma propaganda que eu adoro e que mostra muito bem como subestimamos a capacidade de adaptação da terceira idade é o comercial do Windows 7 que, inclusive, complicou a vida digital da minha vizinha.
vídeo Aqui (Youtube)
Fonte dos dados:
Matéria do Mercado e Eventos - Michael Tuma
Matéria InfoMoney
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
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