40 milhões gastos para a nova campanha da Bombril e muito mais milhões de consumidores insatisfeitos.
Sabe porque?!
Se estamos falando da evolução da mulher, porque falamos de algo que a mulher domina desde a pré-história, a casa? (alguém tem duvida que ela sempre foi a dona do lar ou, no mínimo, a administradora?)
Se estamos falando (de novo) da evolução da mulher, porque precisamos usar terno e gravata e falar grosso como homens? Uma de nossas maiores conquistas (e estamos ainda conquistando) é transmitir capacidade e competência diferenciando-se totalmente do comportamento masculino. Não se pode falar em evolução das mulheres se não falamos daquilo que tanto defendemos: a feminilidade
Como pode acontecer uma evolução com uma retórica tão imatura e até ultrapassada? Eu vejo a guerra dos sexos como algo tão old school , apesar de estarmos em eterna conquista pelo nosso espaço em nossas profissões, isso não nos define da forma demonstrada, a conquista na força, na marra. Conquistamos nosso espaço com delicadeza e objetividade, e aí está a graça da mulher: como ser forte, sendo tão delicada.
A mulher evoluída (mesmo) encara o homem como parceiro, não como inimigo. Não é a toa que o homem, cada dia mais ganha espaço dentro das atividades da casa e dos cuidados com a família, inclusive há propostas para aumentar a licença-paternidade por 1 mês. Isso sim é evolução. A campanha da Bombril é retrograda, traz valores não modernos e sim desprezados.
As reclamações repercutiram não só em inúmeras denuncias ao Conar, mas também ao site Reclame Aqui, onde a empresa é categórica ao afirmar que a Bombril buscou a irreverência e bom-humor nas campanhas.
Eu acredito no humor, mas no humor e não em algo que diz ser humor. Existe o humor dito “inteligente”, mas esse a gente não coloca na TV pra poucos entenderem. Algo humorístico nos faz entender seu objetivo, não precisa explicar que é humor. Piada que é boa não precisa falar que é piada né?!
Segundo a Bombril, o objetivo é atingir um publico mais jovem. Eu até concordo que existe mulheres jovens, solteiras que por conta das decepções em busca do príncipe encantado, acabam gostando da idéia que homem tem que apanhar, que homem não tem muitas utilidades e etc. Mas ao segmentar nossa comunicação, não devemos excluir as outras parcelas de consumidores, ainda mais quando se trata do teu consumidor (até então) fiel, a mulher, dona/administradora do lar com um pouco mais de idade.
A gente não segmenta excluindo, a segmentação é a orientação da nossa mensagem, isso não DEVE significar que não estamos nem aí para a população que não é target e muito menos causar repúdio.
Alías, sou mulher, jovem, administradora do lar e não, não sou essa mulher evoluída que a Bombril quer que eu seja.
Faltou planejamento. E um pouco mais que isso.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
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