segunda-feira, 15 de março de 2010

Todos deveriam ser classe a Nova Classe Média

Não vou citar nomes, nem fontes de pesquisa, a realidade está visível àqueles que estão abertas a vê-la.

Meu trabalho hoje, nada mais é que abrir os olhos, tirar viseiras que limitam o ângulo de visão, enfim, enxergar a realidade em toda sua dimensão.

A visão que adquiri em dois meses de experiência não é a maior ou melhor, mas diferente. Não é complexa e sim simplista, básica e útil.

Aprender ser o outro é uma das maiores lições da vida, aprender a olhar o próximo como a ti mesmo. É aí que a vida e o trabalho se cruzam.

Essa lição do trabalho me trouxe a uma lição da vida. Todos nós deveríamos ser classe D. Não nos quesito ganhar pouco, mas no quesito batalhador, multi-tarefador e conquistador.

As classes CDE compram melhor que as classes A e B. Ninguém pesquisa, compara, usa, desaprova, reclama, induz, critica, elogia, indica e se relaciona com produtos e marcas melhores que eles. A relação que mantém com os produtos é uma lição de como lidar com vários fatores da vida: resistir à produtos encantadores, porém pouco eficazes; não resistir a uma promoção ou liquidação de um bom produto; jamais recusar-se a experimentar o novo; sempre recusar produtos de custo baixíssimo com qualidade de igual nível; estar sempre aberto àquilo que traz benefícios claros e objetivos e também àqueles que trazem qualidades abstratas, mas nunca inexistentes ou fantasiosas como muitos mostram nas propagandas.

Devemos sim buscar a inspiração nesse consumidor, porque responsabilidade e desenvolvimento sustentável diz respeito também de como lidamos com o dinheiro e como o valorizamos.

Uma cabeleireira que ganha 600 reais de Classe D tem em sua sala TV LCD e Home theater. Como? Apenas economizando um pouco ali, outro aqui, guardando dinheiro e sabendo usar o crediário.

Para saber distribuir pouco dinheiro para muitas ambições é preciso descobrir as empresas, desvendá-las e explorar pontos fortes e fugir dos negativos. A maioria das pessoas da classe CDE possuem o habito de ter até 4 celulares(isso, quatro!), cada um com um chip de operadora diferente e, ao anotar o contato de alguém anotam junto a operadora para utilizar o bônus de ligação para mesma operadora, sem gastar 1 real.

E vocês acham que eles não têm seus pequenos luxos? Só essa classe foi responsável por aumentar o consumo de cosméticos recentemente no Brasil.

Aquela propaganda luxuosa, mega criativa, porém pouco didática que fala de qualidades irreais, abstratas e pouco substanciosas serve para prêmios em Cannes, mas não serve para aumentar o consumo perante a Nova Classe Média.

È preciso ser claro, transparente, simples e verdadeiro. O que eles buscam é o ser - humano que tem por trás do processo de criação e venda de um produto – valorizam o bom atendimento, sendo esse um grande diferencial de uma empresa que o bem recepciona. Pois é, eles aprenderam a lição de casa: a pressa é inimiga da perfeição. Enquanto muitos executivos de alto poder aquisitivo querem rapidez, eles querem é qualidade. Qual é melhor? Tudo bem, depende da sua necessidade.

Mas peça um serviço bom e depois peça um serviço rápido e veja qual sai melhor.

Inúmeras pessoas e empresas recusam-se enxergar a importância desse consumidor.

Também, é muito mais fácil vender para quem não tem tempo de pesquisar tanto, para quem tem um bom poder aquisitivo para comprar produtos de valores tão surreais quanto questionáveis.

Estudar o mercado da Nova Classe Média é aprender a fazer propaganda como deveria ser: honesta, simples e, ainda assim, criativa. É aprender a colocar o produto na posição que ele merece estar.

Enfim, a relação que eles têm com os produtos é que devemos aprender a ter com o dinheiro. Não deixe a falta de tempo impedir de reclamar aquele mínimo defeito de um produto, daquele pequeno valor cobrado indevido. Vá atrás dos seus direitos, porque quem será palhaço é aquele que compra e não luta pelos seus direitos, aquele que consome o que é caro e não possui uma qualidade excelente. A excelência tem que estar no serviço/produto e não só no valor monetário.
Nesse dia do consumidor vale repensar.

Feliz dia do circo, para quem é palhaço. Feliz dia do consumidor para quem não é.